terça-feira, 27 de maio de 2025

O PRECONCEITO LINGUÍSTICO NA ERA DIGITAL, CÍCERA LAÉRCIA NASCIMENTO DE SOUSA



No capítulo O preconceito linguístico na era digital, Cícera Laércia Nascimento de Sousa discute como o preconceito linguístico tem alcançado um patamar crucial na era digital, o quanto a sua propagação continua a oprimir socialmente, politicamente e na questão de gênero. O objetivo deste capítulo é realizar uma análise crítica em torno do preconceito linguístico sofrido pela ex-presidenta da República, Dilma Rousseff, em uma das entrevistas concedidas por ela alguns dias após a morte do Papa Francisco, líder religioso da Igreja Católica Apostólica Romana. Utilizando como referência os livros Preconceito Linguístico (2015) e Não é errado falar assim! Em defesa do português brasileiro (2009), de Marcos Bagno, e algumas de suas falas disponibilizadas na internet, pretendemos desenvolver este capítulo mostrando que, além do preconceito de gênero e político cometidos contra a ex-presidenta do Brasil, há ainda um preconceito, mais oculto e menos reconhecido, e o que ela mais tem sofrido nos últimos dias, tornando-se motivo de memes, que é o preconceito linguístico.

Leia o texto de Cícera Laércia Nascimento de Sousa no link:

O preconceito linguístico na era digital

(Página 187)



O GÊNERO DIGITAL "FANFICTION", DE DAVI FILGUEIRAS FELIX


fanfiction é um gênero discursivo literário digital e, como os demais gêneros digitais, tem como principal característica estrutural seu suporte virtual. No texto de Davi Filgueiras é mostrado que a fanfic é um gênero literário dotado de capacidade estética que permite a representação, a reinterpretação e a adaptação de elementos dos campos éticos, cognoscíveis, estéticos e lúdicos. Assim, não apenas as fanfics utilizam elementos advindos de outras obras para compor uma nova forma literária, também uma obra literária como a produzida por Dante Alighieri retoma o herói da Odisseia, de Homero, e propõe para ele um novo final. Sendo assim, as fanfics têm, na atualidade, uma função parecida com a dos folhetins do século XIX, uma vez que transmite esses enredos ao amplo público, uma vez que não há característica estética que a destaque dos demais gêneros literários. 


Leia o texto de Davi Filgueiras Felix no link:

O Gênero Digital Fanfic

(Página 167)


domingo, 27 de abril de 2025

O QUE SÃO GÊNEROS DIGITAIS?

Os gêneros digitais são formatos de comunicação e expressão que surgiram ou se popularizaram com o advento da internet e das tecnologias digitais. Eles são caracterizados por sua adaptação ao ambiente virtual, combinando texto, imagens, áudio e vídeo de forma interativa e dinâmica. Esses gêneros são amplamente utilizados para informar, entreter, educar e conectar pessoas em diferentes contextos.

Todo gênero textual, seja ele simples ou complexo, tem o poder de gerar uma resposta. Uma conversa casual, por exemplo, é um gênero discursivo em que a troca de conhecimento acontece de forma direta e imediata. Nesse tipo de interação, ambos os interlocutores assumem um papel ativo, construindo juntos o diálogo e respondendo instantaneamente às ideias apresentadas.

 No entanto, quando nos voltamos para gêneros mais complexos, como um livro, um artigo ou até mesmo um filme, a dinâmica da resposta muda. Nesses casos, a reação pode ser retardada, ou seja, não acontece no mesmo momento em que o conteúdo é consumido. O leitor ou espectador precisa de tempo para processar as informações, refletir sobre o que foi apresentado e, só então, formular sua resposta. Essa resposta pode se manifestar de diversas formas: uma resenha, um comentário em um blog, uma discussão com amigos ou até mesmo uma mudança de opinião sobre um determinado assunto.

Voltando ao Pré-Modernismo, por exemplo, temos um período literário marcado por discussões profundas que denunciam as injustiças sociais da época. As obras desse período não apenas retratam as desigualdades e os conflitos do início do século XX, mas também trazem para o debate temas polêmicos e relevantes, como o abandono das populações marginalizadas e as tensões entre tradição e modernidade. Tudo isso é apresentado com base em uma visão crítica girando em torno dos desafios e das contradições da época.

Vejamos alguns desses exemplos em grandes obras desse período:

Confira mais sobre o autor: https://www.ebiografia.com/lima_barreto/

 Confira mais sobre o autor: https://www.ebiografia.com/graca_aranha/

Confira mais sobre o autor: https://www.ebiografia.com/augusto_anjos/

Os trechos selecionados expressam ideias semelhantes ao que vemos nos dias de hoje? Além disso, propomos uma reflexão: se os autores dessa época estivessem vivos hoje, como você acha que se expressariam?

ANEXOS DOS MEMES E TWEETS

REFERÊNCIAS:

ALVES FILHO, Francisco; SANTOS, Leonor Werneck; RAMOS, Paulo. Gêneros digitais: muito além do hipertexto. In: MARQUESI, Sueli Cristina; PAULIUKONIS, Aparecida Lino; ELIAS, Vanda Maria (org.). Linguística textual e ensino. São Paulo: Contexto, 2017.

ANJOS, Augusto dos. Eu e outras poesias. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 1998.

ARANHA, Graça. Canaã. São Paulo: Martin Claret, 2013.

BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do Discurso. Tradução de Paulo Bezerra. São Paulo: Editora 34, 2016.

BARRETO, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma. São Paulo: Penguin-Companhia das Letras, 2011.



O QUE É EDUCAÇÃO DIGITAL?



1. O que é educação digital e midiática? 

"Podemos definir a educação digital e midiática como uma área interdisciplinar que inclui as competências e aprendizagens previstas na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) relativas ao uso de tecnologias, comunicação, reflexão e análise de informações e mídias, cultura digital, mundo digital e pensamento computacional. 

Ela é fruto de uma evolução das políticas curriculares mais recentes, como a PNED (Política Nacional de Educação Digital) e a EBEM (Estratégia Brasileira de Educação Midiática), que visam criar oportunidades de aprendizagem para os estudantes brasileiros não apenas utilizarem as tecnologias digitais e midiáticas de modo instrumental, mas principalmente de forma crítica, analisando e compreendendo como são produzidos e como influenciam nossos comportamentos. 

A educação digital e midiática foi recentemente instituída como elemento curricular obrigatório a partir das Diretrizes Operacionais Nacionais sobre o uso de dispositivos digitais nos espaços escolares e sobre a integração curricular da educação digital e midiática (Resolução CNE/CEB N. 2 de 21 de março de 2025). O CNE vem a elaborar estas diretrizes diante do contexto de amplo debate sobre redes sociais e o uso excessivo de telas por crianças e adolescentes. Este debate público culminou em ações do Governo Federal, como a Lei 15.100/2025 e seu decreto regulamentador (Decreto nº 12.385, de 18 de fevereiro de 2025), visando um uso pedagógico e qualitativo de dispositivos digitais nas escolas brasileiras. 

Como parte deste entendimento, é fundamental que os currículos da Educação Básica forneçam uma base de conhecimentos, aprendizagens e competências para que os estudantes acompanhem as novas complexidades do mundo globalizado e digital, para que possam se inserir com autonomia crítica no mundo digital e colaborar com práticas éticas, sustentáveis e igualitárias relativas a soluções tecnológicas para problemas sociais brasileiros. 

No entendimento do CNE, a educação digital e midiática deve ser entendida como uma área interdisciplinar, com colaboração entre diferentes disciplinas e áreas de conhecimento, como história das técnicas e das ciências, humanidades digitais, sociologia da ciência, ciência da computação, ciências sociais computacionais, multiletramentos, comunicação, letramento computacional, matemática e educação linguística, entre outras.

Aprendizagens necessárias para a educação digital e midiática: 

Compreensão de algoritmos e inteligência artificial e suas implicações éticas: a compreensão de algoritmos, do uso de dados para o treinamento de máquinas, das plataformas digitais e das diferentes formas de Inteligência Artificial – IA, além de suas implicações éticas e sociais; 

Letramento computacional: o letramento computacional deve integrar os conteúdos e aprendizagens curriculares como um elemento essencial para preparar os estudantes para os desafios da sociedade contemporânea; 

Letramento informacional e midiático: as mudanças nas formas de se relacionar e se comunicar oportunizadas pela tecnologia demandam o desenvolvimento de novas competências comunicacionais e midiáticas, aprofundando o conhecimento e a relação de estudantes com diferentes tipos de mídia e gêneros discursivos presentes no cotidiano, como os textos jornalísticos, publicitários entre outros presentes no ambiente digital; 

Cultura digital e capacidades complexas: o uso de dispositivos tecnológicos (computadores, celulares, telas), linguagens (computacional, midiática, hyperlinks, algoritmos) e mídias (impressas, rádio, televisão e redes sociais) demanda a identificação de competências e saberes específicos, sendo necessária a interconexão desses aspectos culturais nas sociedades contemporâneas para o desenvolvimento de capacidades complexas e interdisciplinares, superando a compartimentalização característica de formas anteriores de conhecimento e comunicação; 

Cidadania digital: a cidadania digital deve ser considerada como dimensão estruturante das competências e habilidades relacionadas à educação digital e midiática, associando os elementos técnicos, como programação e construção de dispositivos, à compreensão crítica da interação entre os indivíduos e os meios digitais, além de seus limites e possibilidades; e 

Direitos digitais: proteção de direitos individuais e coletivos e desenvolvimento da cidadania digital, considerando as desigualdades e violências presentes no ambiente digital e incluir reflexões sobre plataformas digitais e regulação, representação e representatividade, modelos de negócios e uso de dados, segurança online, responsabilidade e participação cidadã, bem como as diversas possibilidades de uso positivo e fortalecedor dos ambientes digitais para o bem comum".

Texto extraído de: 

MENEZES, Paula C. Santos. Educação Digital e midiáticacomo elaborar e implementar o currículo nas escolas. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/escolas-conectadas/arquivos/guia_eddigital_versofinaloficial.pdf. Acesso em: 14 ago. 2026 [página 05-06].